Com que roupa eu vou?

Sabe aquela história de que a primeira impressão é a que fica? Pesquisas de mercado apontam para a importância do impacto visual em como as pessoas nos veem pela primeira vez. Num primeiro encontro nossa impressão é causada 7% pelo que falamos, 38% pelo nosso tom de voz e gestos e, 55% pela aparência visual e linguagem corporal. 

Em contrapartida, nos últimos anos temos lidado com o boom das startups lideradas na maioria das vezes por jovens talentos e a inserção dos millennials e centennials no mercado de trabalho. Esses profissionais nascidos na era da informação, da facilidade tecnológica e transformações sociais estão sempre em busca de autoafirmação, autenticidade, liberdade de expressão e flexibilidade. 

E, uma das formas que as novas gerações têm buscado para afirmar sua identidade é através de como se vestem e se apresentam. Não por acaso, o dress code no ambiente de trabalho tem estado sempre em pauta e é um desafio constante para profissionais da área de gestão de pessoas. Como flexibilizar o código de vestimenta e contar com o bom senso dos colaboradores?

O primeiro erro é contar com o bom senso das pessoas. Bom senso é pessoal e diz respeito a todo o contexto e as experiências vividas por um indivíduo. O que é considerado bom senso para você certamente não será compatível com o que outras pessoas consideram bom senso. Prova disso são os constantes embaraços em ambiente corporativo quando um profissional não se veste adequadamente para determinada situação.

Mas afinal, o que é ou não adequado?

O modelo rígido da obrigatoriedade de terno e gravata para os homens e saltos para as mulheres que se sustentou por décadas está cada vez mais frágil. Começou com um tímido Casual Day às sextas-feiras e hoje o número de empresas flexibilizando o dress code e incentivando que as pessoas assumam seu estilo só cresce. Muito disso se deve a exemplos como Steve Jobs ou Mark Zuckerberg que quebraram o padrão corporativo e escalaram seus negócios do zero aos milhões de jeans e camisetas.

O que é ou não adequado varia de acordo com a cultura de cada empresa. Quando falamos de liberar o dress code não estamos nos referindo a flexibilizar apenas a maneira como um colaborador se veste. A aceitação do jeito de ser vai além do guarda-roupas. É preciso um movimento em torno da transformação da cultura organizacional que realmente acolha as diferenças e estreite a relação entre líder e liderado num sentido de relações menos verticais e mais horizontais.

Em 2018, o banco Itaú, ambiente corporativo historicamente tradicional, lançou a campanha “Vou como sou”, liberando milhares de profissionais das formalidades. Em entrevista à EXAME, Andrea Pinotti, diretora de RH do banco argumentou que, com sabedoria, quase tudo é permitido, inclusive bermuda, tênis e sandália rasteirinha.

“Uma pessoa não é mais competente porque usa salto ou gravata. Cabelo comprido ou tatuagem também são partes da identidade. Nós queremos os indivíduos por inteiro e felizes. A infelicidade não produz”. 
(Fonte: Exame)

Embora seja difícil correlacionar diretamente o dress code com a produtividade, muitas startups tem apostado na liberação para deixar diminuir barreiras hierárquicas e deixar o colaborador mais a vontade e propenso à criatividade e inovação, diferenciais competitivos nos negócios.

No entanto, ao flexibilizar ou liberar as formalidades da vestimenta, não conte com o bom senso! Se optar por pela flexibilidade dentro de um limite, é preciso orientar os funcionários e mapear situações críticas para evitar mal entendidos.

Como orientar sem impor dress code?

É fundamental que a empresa comunique de forma clara aos colaboradores como devem se vestir em ambiente de trabalho. Supor que todos possuem o mesmo entendimento do que seja adequado é pedir mal entendidos que podem ser evitados. Existe aqui que é adequado ao ambiente de trabalho da sua empresa e cabe a você comunicar a todos que nela trabalham qual o dress code adotado e quais limites do código de vestimenta não devem ser cruzados.

Existe uma diferença quando falamos de “no dress code”, ou seja, não há restrições nenhuma no que se refere ao modo como a pessoa se veste, vale tudo, e de quando falamos de dress code casual, ou seja, da liberação de um código de vestimenta rígido. Nesse caso, precisamos ter ainda mais cuidado ao orientar os colaboradores. A liberação da formalidade ao se vestir traz também a responsabilidade de guiar o funcionário sobre o que ainda precisa ser evitado no dress code. 

Uma forma polida de conduzir esse processo é colocar todos a par do objetivo de diminuir as formalidades na vestimenta. É fazer com que as pessoas se sintam mais em casa? Ou para que elas estejam mais confortáveis ao desempenhar suas atividades? Em muitas empresas, o objetivo é, além do conforto, diminuir as barreiras tradicionais entre alta hierarquia e demais colaboradores, começando com um simples ato de aderir a roupas mais comuns e menos formais. 

Use e abuse dos canais de comunicação interna para falar de boas práticas ao se vestir, o que será flexibilizado e o que não será aceito, como camisas de time de futebol ou com viés político, por exemplo.

Uma delas é o vídeo ilustrativo “Vou como sou”, onde é destacado a importância da autenticidade ao se vestir aliado ao conforto e boa apresentação da imagem.

Banco Itaú aposta em estratégias de comunicação para orientar funcionários sobre limites na flexibilidade do dress code

Quando a empresa opta por estabelecer um dress code, está tudo certo também. Não há certo ou errado quando falamos de estabelecer a forma que os seus colaboradores precisam se vestir para trabalhar. Há vantagens e desvantagens que devem ser analisadas em cada caso para se fazer uma escolha ponderada.

Um exemplo de empresa com dress code definido e bem comunicado a todos é a empresa EMS, destaque no mercado farmacêutico no Brasil, que guia seus funcionários sobre “Nosso jeito de ser e vestir”, no qual com a ajuda de uma profissional consultora de imagem, esclarece a importância da imagem pessoal e política de dress code da organização. É uma opção interessante e deve ser compartilhada desde a integração dos novos colaboradores.

EMS contrata Consultora de Imagem para orientar funcionários sobre como se vestir em ambiente de trabalho

Entendendo a nova geração

Os jovens da nova geração são cada vez menos seduzidos por concursos públicos ou pelo antigo status de se trabalhar em uma multinacional. Aqueles tempos em que se passava vinte, trinta anos em uma empresa até se aposentar simplesmente não existe para esses jovens. 

Os novos talentos estão em busca de uma empresa alinhada com o propósito de vida deles, e as barreiras de saída, uma vez que a cultura empresa e do colaborador sejam divergentes, são praticamente inexistentes. 

Passamos a maior parte dos nossos dias no trabalho e convivendo com os colegas da empresa. Para 60% dos jovens entrevistados, o trabalho define quem eles são. Nesse sentido, flexibilizar as regras do ambiente corporativo se apresenta como estratégia para reter os novos talentos.

(Fonte: Exame)

Definir ou não um dress code?

A sua empresa tem três opções quando falamos do código de vestimenta dos colaboradores. Dress Code, quando se opta por trajes mais formais para o ambiente de trabalho, No Dress Code, quando qualquer recomendação à vestimenta é inexistente e o meio termo, o Dress Code Flexível, opção em que não é exigido roupas formais porém é preciso seguir orientações sobre os trajes não permitidos.

Vale lembrar que ao adotar o “no dress code”, você está liberando decotes, transparências e até roupa de praia se o colaborador quiser ir, se a orientação for de um dress code liberado, ele poderá ir.

Não há certo ou errado em nenhuma das opções. A escolha deve ser feita levando em conta a cultura dos clientes atendidos pela sua empresa e a cultura que a direção da empresa deseja adotar para os próximos anos, ponderando sempre sobre os pontos discutidos nesse artigo, como a importância da imagem pessoa na primeira impressão ou o diferencial atrativo para jovens talentos. Qual será a escolha da sua empresa?