Qualidade de vida no trabalho: saúde é um negócio

Agora é pra valer. O esgotamento profissional ou síndrome de burnout foi incluída pela Organização Mundial de Sáude (OMS) na Classificação Internacional de Doenças (CID), que passará a valer a partir de 2022. Mas o que sua empresa tem a ver com isso?

Uma preocupação crescente no que se refere à saúde do trabalhador são os transtornos mentais e comportamentais decorrentes de situações estressantes no ambiente de trabalho. Juntos, episódios depressivos e transtornos ansiosos tem sido a terceira causa de afastamentos laborais com auxílio-doença, de acordo com dados do Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS. 

Além de aumentar a rotatividade, a síndrome de burnout afeta a motivação e produtividade, trazendo prejuízos para empregadores e empregados. Não basta recrutar e desenvolver talentos. É preciso retê-los na organização sempre engajados e satisfeitos.

Na disputa por talentos, as organizações mais bem-sucedidas são aquelas que além de manter, impulsionam seus colaboradores rumo ao alcance de objetivos mútuos, benéficos tanto para a organização quanto para o colaborador. Daí a importância de manter pessoas na organização.

Passamos a maior parte do nosso dia no local de trabalho. Por isso o tema saúde e qualidade de vida, velhos conhecidos dos gestores de RH, precisam voltar à pauta com urgência. Esforços direcionados à prevenção de acidentes e práticas ergonômicas são mais rotineiros e levados a sério no mundo corporativo.

Entretanto, o ambiente de trabalho não se restringe a condições físicas e materiais, mas também por condições psicológicas e sociais. Ambas intimamente relacionadas. 

De um lado, fatores ambientais que podem afetar o bem estar físico, a saúde e integridade física das pessoas. De outro lado, aspectos psicológicos que podem afetar o bem-estar físico e psicológico, a saúde física e mental e a integridade moral das pessoas. Ou seja, de um lado a segurança do trabalho e de outro a qualidade de vida do trabalho. Em conjunto, esses aspectos são fundamentos básicos para que uma organização se torne o melhor lugar para trabalhar. 

E quando esse mínimo elementar não for plenamente alcançado ou até superado, as pessoas que hoje trabalham na sua organização, migrarão para outro lugar, ou pior, permanecerão  trabalhando insatisfeitas e pouco produtivas no seu negócio. A pergunta é, como sua empresa encara a qualidade de vida no trabalho? 

Precisamos falar de burnout

É nesse contexto de ambiente de trabalho tóxico, pressão exacerbada e zero investimento na qualidade de vida do colaborador que a síndrome de burnout se manifesta. Frescura ou desculpa para não trabalhar, pode chamar como preferir, mas contra fatos não há argumentos. A síndrome de burnout está cada dia mais comum e tem sido responsável por inúmeros casos de absenteísmo, baixo desempenho e rotatividade nas empresas. De acordo com o  ministério da saúde

Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. 

Alguns sintomas da síndrome e facilmente percebidos no ambiente corporativo são:

  • Agressividade;
  • Isolamento;
  • Mudanças bruscas de humor;
  • Irritabilidade;
  • Dificuldade de concentração;
  • Lapsos de memória;
  • Ansiedade;
  • Depressão;
  • Pessimismo;
  • Baixa autoestima.

A principal característica da síndrome é o estado emocional e estresse crônico provocado por condições de trabalho físicas, emocionais e psicológicas desgastantes, segundo o doutor Drauzio Varella. A pressão continuada do mercado de trabalho, com metas agressivas e ambiente de trabalho muitas vezes hostis, colaboram para o estresse crônico que pode culminar em um diagnóstico de Burnout.

O primeiro passo para que sua empresa possa investir em ações que aumentem a qualidade de vida no trabalho é identificar quais fatores afetam o ambiente físico e psicológico no qual o trabalhador está inserido a maior parte do seu dia.

O impacto do ambiente de trabalho na saúde física e mental do colaborador

Do ponto de vista de saúde mental, o ambiente de trabalho precisa oferecer condições psicológicas e sociais que atue positivamente sobre o comportamento das pessoas, evitando impactos emocionais extremos, como o estresse. Já em relação a um ambiente de trabalho saudável que envolva boas condições físicas é um ambiente que atue positivamente sobre todos os órgãos do sentido – visão, audição, tato, olfato e paladar. 

Um bom programa de higiene do trabalho que tem por objetivo oferecer condições saudáveis de trabalho a um colaborador, estão relacionados com:

Ambiente físico de trabalho: ligados ao bem-estar, envolvendo: 

• Iluminação: luminosidade adequada a cada tipo de atividade. 

• Ventilação: remoção de gases, fumaça e odores desagradáveis, bem como efetivar a proibição de fumar ou utilização de máscaras, caso necessário. 

• Temperatura: manutenção de níveis adequados de temperatura. 

• Ruídos: remoção de ruídos ou utilização de protetores auriculares. 

• Conforto: ambiente agradável, repousante e aconchegante. 

Ambiente psicológico de trabalho: ligados ao bem-estar psicológico, envolvendo: 

• Relacionamentos humanos agradáveis. 

• Tipo de atividade agradável e motivadora. 

• Estilo de gerência democrático e participativo. 

• Eliminação de possíveis fontes de estresse. 

• Envolvimento pessoal e emocional. 

Aplicação de princípios de ergonomia: para eliminar a fadiga, envolvendo: 

• Máquinas e equipamentos adequados às características dos usuários. 

• Mesas e instalações ajustadas ao tamanho das pessoas. 

• Ferramentas que reduzam a necessidade de esforço físico humano

Idalberto Chiavenato, autor de vários livros sobre Gestão de Pessoas, argumenta que um ambiente de trabalho agradável facilita o relacionamento interpessoal e melhora a produtividade, assim como reduz acidentes, doenças, absenteísmo e rotatividade. 

Fazer do ambiente um local agradável para se trabalhar tornou-se uma verdadeira obsessão para as empresas bem-sucedidas. 

Afinal, o que é qualidade de vida no trabalho?

De forma simples o conceito de qualidade de vida no trabalho refere-se a preocupação com o bem-estar e saúde dos colaboradores no desempenho de suas atividades, do ponto de vista biológico, psicológico e mental.              

Quando falamos de qualidade de vida estamos falando de uma série de percepções que os funcionários possuem sobre muitos aspectos que variam de acordo com a cultura dos indivíduos e da própria empresa. Segundo Chiavenato, os pontos de atenção devem necessariamente abordar:

  • Satisfação com o trabalho executado
  • Condições de trabalho seguras
  • Remuneração justa e adequada
  • Estabilidade no emprego 
  • Supervisão competente
  • Feedback quanto ao desempenho no trabalho
  • Possibilidades de promoção e avanço na carreira
  • Liberdade de atuar e a responsabilidade de tomar decisões
  • Relacionamento humano na equipe e na organização
  • Possibilidades de futuro na organizacao
  • Reconhecimento pelos resultados alcançados
  • Benefícios concedidos ao funcionário
  • Ambiente psicológico e físico de trabalho
  • Flexibilidade de jornada de trabalho

Todos esses fatores afetam diretamente a qualidade dos produtos e serviços comercializados pela organização. Uma qualidade de vida no trabalho ruim, conduzirá à alienação do funcionário e à insatisfação, à má vontade, ao declínio da produtividade, a comportamentos como absenteísmo e rotatividade. Muitos dos problemas de desempenho que vemos no dia-a-dia em diversos colaboradores provavelmente podem estar relacionados ao clima organizacional.

Pessoas motivadas que participam ativamente nos trabalhos que executam e que sejam adequadamente recompensadas alcançam níveis superiores de qualidade e produtividade.

A competitividade organizacional – e, obviamente, a qualidade e a produtividade – passam obrigatoriamente pela qualidade de vida no trabalho. Para bem atender ao cliente externo, a organização não deve esquecer o cliente interno. Isso significa que, para satisfazer o cliente externo, as organizações precisam antes satisfazer os seus colaboradores responsáveis pelo produto ou serviço oferecido.

Quanto custa não investir em qualidade de vida no trabalho?

O Brasil é o segundo país com maior incidência de casos crônicos de estresse, ficando atrás apenas do Japão.  

(Fonte: HSM)

Um estudo realizado pela London School of Economics and Political Science aponta que o custo com a perda de produtividade relacionada a episódios de depressão e ansiedade chegam a custar mais de 300 bilhões as empresas brasileiras. 78 bilhões de dólares são perdidos em função da depressão, três vezes mais que o orçamento brasileiro com Minas e Energias. 

(Fonte: HSM)

São muitos os custos envolvidos quando um colaborador dá sinais de esgotamento e alto estresse no ambiente de trabalho. Além do impacto na qualidade dos produtos e serviços oferecidos e dos custos com auxílio saúde, há também os custos indiretos e difíceis de serem mensurados.

Em artigo sobre o tema publicado por Romero Rodrigues, sócio da Venture Capital Redpoint e co-fundador do Buscapé, ele nos convida a uma reflexão:

Quando um líder ou funcionário de bom desempenho se afasta, ou mesmo pede desligamento da organização, por questões emocionais, o que acontece? A empresa precisa abrir um novo processo seletivo e arcar com custos da consultoria que fará o hunting (em geral 25% do salário anual para a posição). Além disso, precisa investir em treinamento e aguardar entre 9 e 12 meses para que aquele novo integrante consiga passar pelo ramp up e comece a entregar resultados de forma consistente. Quanto custo financeiro, emocional e de clima organizacional é envolvido neste movimento?

De que lado sua empresa prefere que estejam os custos? Do lado que investe em programas e ações para melhorar a qualidade de vida do colaborador no ambiente de trabalho ou do lado que sente os prejuízos financeiros envolvidos nas faltas, atrasos e baixo desempenho do funcionário? A escolha de hoje mostrará onde sua empresa estará daqui a cinco anos. Invista no diagnóstico do clima organizacional e com pequenas atitudes é possível transformar e melhorar os aspectos que envolvem a qualidade de vida no trabalho. 

Diagnosticando o grau de satisfação e motivação interna

A forma como seus colaboradores se sentem na sua empresa costuma ser tema recorrente da rádio peão. Em ambientes hierarquizados e pouco abertos ao diálogo, o receio de falar diretamente com a chefia leva o trabalhador a desabafar com outros colegas de trabalho sobre as situações desagradáveis do trabalho.

Muitas das vezes, devido a esse medo de falar sobre aspectos que estão ruins, as lideranças e a empresa de uma forma geral possuem a falsa ideia de que os funcionários estão satisfeitos e tudo está bem. 

Se há abertura ao diálogo, o feedback é excelente estratégia para alinhar sobre como as pessoas se sentem sobre algum ponto específico e propor melhorias. Em muitas empresas a cultura de feedback traz ótimos resultados. De cima pra baixo, de baixo pra cima ou de colega para colega, as pessoas possuem um canal para falar e serem ouvidas. 

Tendo consciência da realidade percebida pelas pessoas que trabalham com você, fica muito mais fácil construir juntos melhorias que visem aumentar a qualidade de vida no trabalho.

Dependendo da cultura da empresa e do histórico de abertura dada aos funcionários, a melhor opção é investir em uma pesquisa de clima organizacional ou pesquisa de qualidade de vida no trabalho. Perguntas variadas que abordem remuneração, segurança, conforto, reconhecimento e relacionamentos no trabalho ajudam a expor a percepção que os indivíduos estão tendo da sua empresa. 

A pesquisa, por ser anônima, oferece ao seu funcionário a liberdade que ele precisa pra ser sincero e pontuar sobre como os pontos abordados estão impactando o desempenho nas suas atividades.

E o RH com isso?

Você sabe como os colaboradores estão se sentindo no ambiente de trabalho? O ambiente físico e psicológico impactam e muito na qualidade das entregas e na produtividade da sua equipe. 

O primeiro passo para tornar a sua empresa em um lugar melhor para se trabalhar, além de aumentar o nível dos produtos e serviços oferecidos, é identificar a percepção que as pessoas possuem do lugar onde trabalham. 

Remuneração, autonomia, benefícios, reconhecimento, segurança e chefia são alguns dos pontos abordados na pesquisa exclusiva pela Feedback House sobre qualidade de vida no trabalho. Baixe agora mesmo totalmente gratuito!